José e seu Maranello Amarelo, ano 79 com 400 cavalos de potência, estão desesperados. No banco de trás uma mulher, uma Maria com uma criança prestes a nascer, está mais calma que o motorista, mas mesmo assim desesperada, afinal vai ser mãe e pela primeira vez.
A chuva cai forte e José corta os carros como se eles estivessem parados, nas curvas é um pé na embreagem e outro no acelerador, freio? Pra que serve isso? A sua frente há um hospital público, é lá o destino já que os particulares estavam todos fechados para as férias coletivas do ano novo.
- Desculpe senhor, não temos leitos e o único médico de plantão está descansando agora, afinal já vai dar meia noite!
- O que? Ela está tendo um filho e o cara está dormindo!?!? Eu pago imposto pra que? Preciso de um quarto! Agora!
- Senhor, me desculpe, mas nada posso fazer, o médico não se encontra no hospital, acabou de sair de carro, não sei quando volta.
- Então me dê um leito! Por favor!
- Todos estão ocupados, senhor. Hoje teve ma manifestação contra uma Conferência Política aqui na cidade, muitos manifestantes ficaram levemente feridos, mas ainda sim feridos, você não viu o jornal?
- Me dê por favor um lugar! Qualquer um! Minha mulher não pode ter um filho dentro de um carro… ainda mais esse filho… - diz ele abaixando a voz.

