Crônica de Natal Parte 1

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É inacreditável a magia que o Natal provoca na gente, chega o primeiro fim de semana antes da data e toda a família é convocada para fazer aquela faxina especial na casa. Você, morto de cansaço de uma semana puxada no trabalho ficando até mais tarde compensando os dias que não vai trabalhar nesse fim de ano e tem que ficar varrendo a casa, passando pano, empurrando sofá pra cá, estante pra lá, ai limpa o vaso sanitário, lava tapete, socorro! Depois de tudo você percebe que você se cansou mais nesse fim de semana higiênico do que em duas semanas de trabalho.

O dia 24 é o mais mágico de todos, porque só com mágica as mulheres tiram o cheiro de fumaça que fica no cabelo depois de tanta comida pra fazer. A maratona começa cedo, quando você ainda com sono tem que se levantar cedo para pegar o chester que você deixou descongelando no dia passado e agora está começando a encher de formigas. É sempre assim, o marido nunca ajuda a mulher a fazer a comida, ele prefere correr no camelô e nas lojinhas de R$1,99 pra comprar na última hora as lebrancinhas dos parentes que só avisaram que iriam passar o natal com a sua família na manhã do dia 24. Quem ajuda é geralmente a mãe da esposa que cuidadosamente põe pouco sal na comida pois faz mal e ela não quer ver a filhinha dela doente. É mais à noite que se descobre que o chester queimou, que o marido esqueceu de comprar creme de leite e que a toalha de mesa manchou, mas está tudo bem, seus parentes nem vão reparar.

É inacreditável como os parentes só chegam quase meia noite, afinal, é a ora que interessa, a hora da comida, e pra que mais serve o natal em família? Pra comer, oras! A sogra sempre chega reclamando de alguma coisa, esse é o trabalho dela reclamar e ela logo percebe e se encarrega de exibir a toalha de mesa manchada. Tem sempre um primo que não é convidado e aparece de carona com algum outro parente, geralmente o primo está sem camisa e com uma latinha de cerveja na mão, geralmente Antártica ou em alguns casos Skol, isso quando ele não aparece apenas de sunga preta dizendo que veio da praia, mesmo estampado na cara dele que não é verdade. As crianças são a alegria da comemoração, elas se alegram tanto que ficam correndo pela casa toda, jogando sua almofada recém lavada para o alto e derrubando algum vasinho de flores que você gosta pra caramba e ganhou de presente de alguém bem legal que conheceu a muito tempo. É impressionante e ao mesmo tempo alarmante a quantidade de cerveja derramada no chão enquanto todo mundo se separa para conversar, os homens falando do Timão de segunda divisão e as mulheres da novela e a mulher no poste, o legal é que é todo mundo no mesmo cômodo da casa.

[Continua Amanhã]

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